Casa Ferreirinha anuncia Barca Velha 2008

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A Casa Ferreirinha acaba de declarar 2008 como ano Barca Velha. Passados 8 anos de uma vindima excepcional na Quinta da Leda, o enólogo Luís Sottomayor acreditou ter chegado o momento ideal para o anúncio do 18º Barca Velha da história.

A Sogrape vai disponibilizar 18 mil garrafas de Barca Velha 2008, o 18º vinho da história desta marca em 64 anos de história, será lançado em meados de Outubro de 2016.

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“Os grandes vinhos revelam-se logo à nascença, mas os vinhos superiores, aqueles que ficam para escrever e contar histórias, esses precisam de provar que merecem um lugar na garrafeira e passar o teste do tempo”, defende o enólogo, Luís Sottomayor.

Declarado apenas em anos considerados excepcionais pela Casa Ferreirinha, o arca Velha é elaborado com uvas de diferentes altitudes do Douro Superior.  O 18º Barca Velha provém dos 160 hectares de vinha da Quinta da Leda, origem da maior parte dos vinhos que integram o lote composto pelas castas tradicionais da região.

 

LEda

Companhia Aérea incentiva o transporte de Vinho. 

 

O Vale de Okanagan, no Canadá, é um dos grandes pontos turísticos do País e a maior parte do seu sucesso com os Turistas deve-se aos seus excelentes Vinhos que podem ser degustados em vários locais do Vale.

Quando se fala em transportar vinhos num avião, as dificuldades começam a surgir.

Para acabar com essas dificuldades, a Companhia área Pacific Coastal Airlines dará aos seus passageiros uma caixa feita especialmente  para levarem os vinhos nas viagens da Companhia. A iniciativa tem como objetivo promover os Produtores de Okanagan e a venda para consumir fora.

O projeto é fruto da parceria da empresa com três Produtores do Vale de Okanangan, que têm as suas marcas impressas na caixa.

As embalagens são consideradas parte da bagagem dos passageiros, mas são despachadas em separado.

 

Um iniciativa a pensar na Europa, e em especial em Portugal!

 

 

 

 

Os vinhos naturais estão aí e não são uma moda passageira

Humus

Parece haver cada vez mais mercado para brancos e tintos feitos sem químicos desde a uva até à garrafa.

Por Pedro Garcias – In ” FugasVinhos” – Jornal Público

Parece haver cada vez mais mercado para brancos e tintos feitos sem químicos desde a uva até à garrafa.

Caro leitor, a sua resposta pode ser importante: qual foi o vinho natural mais velho que já bebeu? Desculpe a pergunta, mas ela tem utilidade como ponto de partida para uma abordagem à mais recente moda do longevo mundo do vinho. Até agora, quando nos referíamos a grandes vinhos, falávamos quase sempre de vinhos velhos, de brancos e tintos secos que sobrevivem de forma admirável durante décadas ou de fortificados quase eternos, como um Madeira ou um Porto, por exemplo. Virou lei no sector que um vinho para poder ser considerado extraordinário precisa de vencer a prova do tempo. Não basta nascer soberbo. Tem que crescer em garrafa, complexar e durar o mais possível em grande nível, ao ponto de um dia poder emocionar quem o beber.
Os artíficeis destes vinhos costumam recomendar paciência, pedindo para se esperar pelo seu auge, que pode só chegar ao fim de uma, duas ou até mais décadas. Ao invés, muitos produtores de vinhos naturais quase que imploram para que os bebam depressa, nos próximos dois ou três anos, no máximo.
Será que o mundo do vinho virou do avesso? Ainda não. O que se está a assistir é a um movimento em favor do vinho saudável e do respeito pela natureza, uma versão líquida do movimento slow food e dos alimentos bio. Está em alta em países como a França, Estados Unidos, Itália e Espanha. Não é uma moda qualquer, nem um devaneio de uns quantos produtores hippies. Há cada vez mais consumidores ávidos por vinhos artesanais e saudáveis e também produtores interessados em seguir uma via mais naturalista e emocional em contraponto com o ambiente anódino do industrialismo vinícola. “Já ouvi muita gente dizer que os vinhos naturais são apenas uma moda que vai passar depressa, mas eu faço uma pergunta: a cerveja artesanal é uma moda que também vai passar? Basta ver como esse segmento de nicho se desenvolveu e cresceu para entender que não”, diz o brasileiro Ricardo Melo, proprietário da Mondinowines, uma pequena distribuidora de vinhos naturais em Londres.
Mas, afinal, o que distingue um vinho natural de um vinho dito convencional? Embora não haja legislação específica, nem mesmo uma definição consensual, vinho natural é um vinho feito sem químicos ou produtos industriais desde as uvas até à garrafa. A fermentação é feita com leveduras indígenas (presentes nas uvas), não são toleradas correcções ou intervenções como colagens e filtragens e, acima de tudo, está vedada a adição de sulfitos, o mais poderoso conservante do vinho. Basicamente é sumo de uva fermentado sem qualquer intervenção química e com mínima intervenção humana. Os seus defensores e praticantes sustentam que, além de mais saudável, é um vinho que expressa de forma mais autêntica a natureza das uvas e do seu lugar de origem. E lembram que o vinho “sempre foi natural em todo o mundo durante milhares de anos”. “Em Portugal, quando se produziam os vinhos de talha, não se usavam sulfitos. Ou, se usava, era muito pouco, apenas como assepsia, não para matar toda a vida que há no vinho e as leveduras, onde se encontra toda a magia dos vinhos. Com a tecnologia e a modernidade, o vinho foi sendo cada vez mais desconstruído e o mercado foi fazendo uma lavagem cerebral nos consumidores para que eles bebam sempre vinhos totalmente padronizados, pasteurizados, exactamente iguais, como se alguém que tivesse um filho quisesse todos os anos ter outro filho exactamente igual”, advoga Ricardo Melo.
Se o vinho é a expressão do terroir, então faz sentido que este seja o mais puro possível. Livrar as vinhas de contaminantes e alimentá-las com fertilizantes naturais, respeitando os ritmos da natureza, e intervir o menos possível na fase de vinificação faz todo o sentido. É este, de resto, o princípio essencial da viticultura biodinâmica, uma espécie de homeopatia da terra que tem como objectivo preservar a autenticidade e a singularidade de cada vinha. Embora não vá tão longe, a viticultura orgânica ou biológica também assenta nos mesmos princípios de promoção de práticas amigas do ambiente e da saúde humana. No entanto, quer a viticultura biodinâmica, quer a viticultura orgânica não são tão restritivas na adega, nomeadamente ao nível da adicção de sulfuroso (SO2) no vinho.
As leveduras industriais e o sulfuroso são os patinhos feios que os produtores de vinhos naturais querem ver longe das suas adegas. Mas este radicalismo tem enormes riscos, porque deixa os vinhos mais vulneráveis à oxidação precoce e à ocorrência de defeitos aromáticos e gustativos.

O sulfuroso, ou dióxido de enxofre, é um poderoso antioxidante do vinho que actua também como desinfectante, fungicida, bactericida, solvente de compostos fenólicos presentes na pele das uvas, melhorador de aroma e afinador de cor. Embora de diferentes formas, já é usado na produção de vinho há milhares de anos. Não é um produto inócuo e pode causar alergias, daí surgir nos rótulos dos vinhos a informação “contém sulfitos”. Mas se for usado em doses baixas não tem implicações na saúde. Por cautela, a Organização Mundial de Saúde (OMS) fixou um máximo de consumo diário de SO2 equivalente a 0.7mg/litro por quilo de peso, o que dará cerca de um copo a dois de vinho por dia para uma pessoa com peso normal. Os piores vinhos são, em geral, os que levam maiores quantidades de sulfuroso. Os vinhos doces naturais (sem adição de aguardente) também são fortemente protegidos com sulfuroso, por causa do açúcar residual que possuem. Mas quando comemos frutos secos descascados e embalados estamos a ingerir dez vezes mais sulfuroso do que se bebermos um copo de vinho.
O uso de sulfuroso no vinho não é uma inevitabilidade, mas é uma necessidade quando se pretende fazer vinhos estáveis e duráveis. Ao optarem pela fragilidade em nome da pureza e da autenticidade, os produtores de vinhos naturais estão a oferecer ao consumidor vinhos que podem estar hoje extraordinários e imbebíveis daqui a uns meses. Já nos aconteceu bebermos um grande vinho natural no Jura, em França, e, já em casa, poucas semanas depois, o mesmo vinho estar completamente oxidado.
Ainda assim, é um risco que muita gente parece disposta a correr. Em Portugal, o movimento dos vinhos naturais só agora começa a fazer o seu caminho. Ricardo Filipe, produtor dos vinhos Humus (Óbidos), é o rosto principal deste movimento. Não como prosélito militante, mas por ser aquele que mais vinho natural faz. Em 2007, começou a tratar os seus nove hectares de vinha de forma biológica. Em 2010, fez o seu primeiro vinho natural, um tinto, ao qual não não adicionou sulfuroso. Em 2011, fez o primeiro branco livre de sulfuroso. Em 2015, um ano fantástico para este tipo de vinhos, Rodrigo Filipe fez cerca de 20 mil garrafas de vinho natural.
Discreto e tímido, Rodrigo Filipe é uma espécie de anti-vedeta do vinho. “Comecei a fazer vinhos naturais como um desafio, porque tinham algo que me interessava, que era a autenticidade. E gostei do resultado. São vinhos que me dão muito prazer a beber. E também tenho tido bons feed-backs de pessoas que são intolerantes aos sulfitos”, diz.
Embora faça tudo para não usar sulfuroso, até por ser um produto desagradável ao olfacto, Rodrigo não partilha do radicalismo de alguns produtores de vinhos naturais. “Há anos em que não é possível deixar de usar algum sulfuroso. É preferível usar algum do que fazer vinhos estragados”, defende.
O grande desafio dos vinhos naturais prende-se com a sua regulamentação. Ao contrários dos vinhos orgânicos e biodinâmicos, que contam com entidades certificadores, os vinhos naturais não estão sequer consagrados em lei. Um vinho dito “natural” pode ser tão ou mais “químico” do que outro vinho qualquer, porque ninguém o controla. Há associações de defesa do vinho natural em vários países, mas cada uma tem o seu próprio regulamento. Em França, há associações que toleram o uso de algum sulfuroso, mas a associação espanhola, por exemplo, defende a interdição total.
Por outro lado, o termo “natural” tem algo de maniqueísta e dogmático. A existência de vinhos “naturais” pressupõe que os outros não são naturais, logo são piores. Este confronto não é meramente etimológico. O famoso escritor de vinho inglês Andrew Jefford afirmou à revista Decanter que alguns produtores naturais perseguem uma “perversão de ideias de naturalidade fundamentalista”. O crítico americano Robert Parker foi mais contundente, classificando os vinhos naturais como uma gigantesca fraude.
Não há razões para tanto. É verdade que se vendem vinhos naturais (a preços até mais elevados do que os ditos convencionais) que estão cheios de defeitos; é verdade que não há nenhuma entidade que ateste a sua elaboração; e também é verdade que existe alguma arrogância em muitos dos seus praticantes, ao colocarem todo os outros produtores de vinho no lado dos maus. Mas também há enormes virtudes neste movimento, porque pode ajudar o sector a optar por práticas mais sustentáveis e a intervir menos quimicamente no vinho. “No futuro, vamos olhar para o vinho natural como uma dádiva. Os consumidores estão, talvez pela primeira vez, a começar a questionar seriamente o que vai dentro do vinho que bebem, assim como milhões já fazem com a comida”, defende a Master of Wine francesa Isabelle Legeron, responsável por uma das principais feiras de vinhos naturais do mundo, a RAW, que se realiza em Londres.

 

O  único viticultor biodinâmico certificado em Portugal tem 72 anos

Fernando Paiva

Se não o conhecêssemos e se nos tivessem falado pela primeira vez do único viticultor biodinâmico certificado em Portugal, imaginaríamos alguém entre os 30 e os 50 anos, de ar negligé, talvez um hippie ou um wine freak. Alguém a procurar fugir das modas e a viver de forma extravagante e alternativa. Um homem a fumar tabaco de enrolar e, de vez em quando, até uns “charros”. Um beberrão de tintos e brancos alternativos, um produtor meio louco a fazer vinhos intransigentes numa adega simples, muito artesanal, com tecnologia mínima.
Mas nada do que pudéssemos imaginar, a não ser a simplicidade da adega e a vontade de fazer vinhos autênticos, encaixa em Fernando Paiva. Não fuma, é discreto, faz os seus vinhos sem grandes alaridos e tem 72 anos. Elegante e com a pele bem tisnada pelo sol do campo, é um septuagenário em grande forma e muito preocupado com o que come e bebe. “Tornei-me biodinâmico a pensar na minha saúde. Fui egoista, reconheço”, diz.
Fernando Paiva possui a Quinta da Palmirinha, em Bouça Chã (concelho de Felgueiras), e uma pequena parcela de 0,5 hectares junto a Amarante. Ao todo são cerca de 3,5 hectares de vinha que herdou de família. Palmirinha era o petit-nom da mãe, que morreu com 104 anos. Antes de ser viticultor, Fernando Paiva foi professor de História e Português no 2º Ciclo em Amarante. E dirigiu durante alguns anos o jornal local.
Reformado aos 56 anos, virou-se para as vinhas sem saber muito bem o que fazer. No ano 2000 surgiu-lhe a possibilidade de realizar em Celorico de Basto uma formação com o especialista francês em biodinâmica Pierre Masson. “Na altura, nem sequer conhecia a palavra ´biodinâmica`”, recorda. E durante essa semana de formação teve uma espécie de epifania. Masson dera-lhe a conhecer um mundo novo, uma nova forma de encarar o cultivo da terra e a transformação dos alimentos, sem pesticidas e outros produtos químicos, em respeito pela natureza e pelo bem-estar da humanidade. Fascinou-o a ideia de produzir uvas e vinhos saudáveis, num ambiente holístico, em que tudo o que a vinha precisa para se alimentar e proteger tem origem na própria exploração agrícola, nas plantas e nos animais que a povoam. “Comecei por ter grandes dúvidas. O que eu precisava de saber era se a agricultura biodinâmica poderia ser generalizada ao ponto de poder assegurar a alimentação da humanidade. E na altura fiquei bastante convencido”, conta.
Nessa época, o valor das uvas na região era muito baixo e tendia a diminuir ainda mais. Pela mesma altura, Fernando Paiva leu um artigo sobre uma investigação feita em França que concluiu que os agricultores eram o grupo profissional com maior incidência de cancro na cabeça, associado à exposição aos pesticidas. “Prejuízo por prejuízo, então mais vale fazer uvas biológicas”, disse para si. E foi assim que tudo começou.

Os primeiros anos foram de aprendizagem. A sério, só a partir de 2007 é que Fernando Paiva começou a fazer viticultura biodinâmica. Sempre com um sentido prático e sem ceder ao esoterismo e à religiosidade que muitos agricultores biodinâmicos cultivam. “Eu sou agnóstico”, diz. Mas, mesmo não sendo homem de fé, acredita na eficácia do preparado de bosta (o preparado 500) que é usado no solo para aumentar a vida microbiana e facilitar a obsorção dos minerais por parte das videiras; acredita no preparado 501, uma mão cheia de cristais de quartzo moídos que são enterrados num corno de vaca desde a Páscoa até ao Outono e que, pulverizado sobre a vinha, depois de ser agitado numa grande quantidade de água durante uma hora, ajuda à frutificação e à maturação dos cachos; acredita nas macerações hidroalcoólicas de folhas de consolda, urtiga, cavalinha e eucalipto, que usa para tornar as videiras mais resistentes a várias doenças; e respeita dentro do possível o calendário desenvolvido por Maria Thun com as actividades que devem ou não devem ser realizadas em cada dia do ano, de acordo com as energias cósmicas que chegam à Terra. Uma espécie de avatar biodinâmico do almanaque Borda d’água. Também não tem dúvidas sobre a importância das abelhas na paisagem cultivada, como polinizadoras e como transportadoras de veneno, com efeito estimulante conhecido na vida das plantas; e por isso tem sempre uma ou duas colmeias na quinta, bem como cerca de 50 a 60 galinhas, que ajudam a diminuir as ervas infestantes e também, queixa-se Fernando Paiva, a “alimentar raposas e milhafres”.
Tudo isto dá muito trabalho e requer bastantes conhecimentos. Fernando Paiva faz regularmente macerações de plantas e já chegou a fazer os principais preparados. Mas, como diz, prefere comprá-los “a quem os sabe fazer mesmo bem”. E o seu principal fornecedor é Pierre Masson, o homem que lhe deu a conhecer a agricultura bodinâmica.
Desde então, já teve outros formadores, como Daniel Noel, Daniel Pasquet (que o aconselhou tecnicamente durante dez anos), Jacques Fourés e Nicolas Joly, um dos mais famosos produtores biodinâmicos de França. Depois ter trabalhado em Finanças no Reino Unido e nos Estados Unidos, Joly regressou em 1977 para tomar conta da propriedade da família no vale do Loire e começar a fazer alguns dos melhores vinhos desta região.
Fernando Paiva ainda não chegou tão longe, mas os seus vinhos, com a marca Quinta da Palmirinha, merecem ser descobertos. Em Portugal, só são conhecidos no circuito alternativo. O grosso das cerca de 15 mil garrafas que produz é vendido no Reino Unido, Alemanha, Espanha, Noruega, França, Estados Unidos e Canadá

A sua premissa é a de que os vinhos “são feitos pela natureza”, pelo que se limita a ser um mero intermediário na transformação das uvas, sem desengace e leveduras industrias e indo até mais longe do que impõe o caderno de normas da viticultura biodinâmica. De acordo com a entidade certificadora, a empresa alemã Demeter, os vinhos biodinâmicos podem levar até 120 mg/l de sulfuroso. Mas Fernando Paiva usa muito menos e no tinto da casta Vinhão que fez na última vindima não usou mesmo nada. Ainda no inox, é um vinho cheio de fruta vermelha, fresquíssimo e nada adstringente.
A mesma pureza e franqueza é também notória nos brancos (todos sem barrica), em especial no Quinta da Palmirinha Loureiro. O 2015 está muito delicado e fino, revelando uma precisão aromática e uma frescura deliciosas. Tem apenas 11,5% de álcool, mas parece mais gordo e a acidez não magoa, como acontece com tantos vinhos verdes. O Loureiro/Azal 2015 é ainda mais seivoso, por ter mais acidez e menos álcool (11%). Muito interessante está também o Azal/Arinto 2015, um branco de textura gorda, com alguma sensação tânica até e grande frescura. Por sete euros, o preço estimado a que chegam ao mercado, são vinhos imperdíveis.

Fonte: Os vinhos naturais estão aí e não são uma moda passageira

A Cidade e os Vinhos | Cité du Vin – Bordéus

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A Cité du Vin tem abertura oficial marcada para o dia 1 de Junho próximo mas a partir de agora já pode comprar (ou candidatar-se a ganhar) bilhetes para visitar o espaço no facebook.

O projecto está situado nas margens do Rio Garonne, em plena cidade de Bordéus. Trata-se de um complexo futurístico, composto maioritariamente por painéis em vidro e alumínio, em forma de decanter, que ocupa uma área superior a 13 350 m², divididos por dez andares. O último piso a uma altura de 55 metros. A Cité permite uma vista inigualável sobre a cidade e toda a região envolvente e foi desenhada pelo atelier de arquitectura francês XT-U, em conjunto com a casa de design de interiores inglesa Casson Mann e cada detalhe, interior ou exterior, evoca a alma do vinho.

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O espaço irá oferecer exibições permanentes e temporárias, espectáculos, conferências e ‘workshops’ sobre o vinho e sua história. Para principiantes ou conhecedores, estes workshops podem versar a enologia do vinho, o food pairing ou mesmo a prova de vinhos raros. Um laboratório emerge mesmo os visitantes numa experiência tridimensional, acrescentando à prova luzes, sons e aromas.

E se os vinhos da região de Bordéus ocupam naturalmente o centro das atenções, o projecto está aberto ao mundo: o restaurante Le7 irá oferecer uma carta de vinhos com mais de 500 entradas provenientes de 50 países diferentes, e o wine bar Latitude20 suplanta ainda essa oferta, com 800 entradas de 80 países. O espaço inclui ainda uma boutique e uma enoteca.

A Cité du Vin foi financiado com dinheiros públicos, na sua esmagadora maioria da cidade de Bordéus e de outras entidades regionais mas também recorreu ao mecenato, que financiou cerca de 20% da obra. Neste caso, sobretudo pelas principais casas de vinho de Bordéus e por uma liga de amigos norte-americanos. Não será por acaso que um dos embaixadores é o crítico de vinhos Robert Parker.

 

Com um orçamento anual de 12 milhões de euros, a maioria das receitas será gerada pela própria “cidade”, com a venda de entradas e a exploração dos espaços. Isto porque são esperados cerca de 450 mil visitantes ano (e cada entrada tem um custo de 20 euros) que deverão além disso gerar receitas indirectas para a cidade e região na ordem dos 40 milhões de euros. O que nos faz pensar se um projecto semelhante não seria uma excelente ideia para uma das nossas regiões vínicas?

 

 

Bordéus vai abrir La Cité du Vin, um mundo dedicado à cultura do vinho, ao qual muitos já chamam “o Guggenheim do vinho”. Custou mais de 80 milhões de euros mas espera gerar receitas anuais indirectas acima dos 40 milhões.

Fonte: A Cidade e os Vinhos | Económico

Palato feminino premiado: duas engenheiras e uma enóloga criam o Madeira Vintners – Observador

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Micaela Martins e Cristina Nóbrega e Lisandra Gonçalves, com idades entre 25 e 27 anos, são as responsáveis pela mais jovem marca de vinho Madeira no mercado, o Madeira Vintners.

Duas engenheiras agrónomas e uma enóloga e criaram o Madeira Vintners, o único vinho da região produzido exclusivamente por mulheres e já premiado a nível internacional.

A somar três anos, este vinho da Cooperativa Agrícola do Funchal (CAF) foi distinguido do Concurso Internacional “Vino y Mujer 2016”, que se realizou a 30 de Março em Madrid, Espanha: na categoria de vinhos generosos ganhou o Prémio Diamante e na classe de meio doce recebeu uma menção honrosa.
As engenheiras agrónomas Micaela Martins e Cristina Nóbrega e a enóloga Lisandra Gonçalves, com idades entre 25 e 27 anos, são as obreiras da marca, que assinala os 65 anos da CAF e teve já 10.000 garradas a entrar no mercado, repartidas, em igual número, por vinho meio seco e meio doce.

“O Madeira Vintners tinha que apostar pela diferença e pela qualidade e uma das hipóteses que nós pensámos foi precisamente criar um vinho feito apenas por mulheres. Não há interferência de homens”, diz à agência Lusa o presidente da cooperativa, Coito Pita.

Essa exclusividade, explica o responsável, reflecte-se no processo de produção: são as três mulheres que fazem a ligação entre a marca e os agricultores, dando-lhes sugestões quanto ao tratamento das uvas, quando devem ser apanhadas e que grau devem ter, entre outras questões.

São também elas que coordenam a apanha e o transporte da uva; a escolha da uva, que é feita manualmente, cacho a cacho; o envio para as cubas e barricas e o tratamento para vinho Madeira. “É manifestamente uma equipa exclusivamente feminina que faz todo esse trabalho”, acentua Coito Pita.

“Este vinho estagiou três anos e é de castas tinta negra e complexa, maioritariamente tinta negra e 20% de complexa”, comenta a engenheira Micaela Martins, formada no Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

A enóloga Lisandra Gonçalves, com experiência na Nova Zelândia e em França, acrescenta que o vinho “esteve a fermentar em cubas e em barricas e depois, a estufar, foi então feita a junção e obteve-se este vinho”. O objectivo, porém, é fazer vinhos de 5 e 10 anos e, um dia, um vintage.

A CAF compra directamente a uva aos agricultores, garantindo a absorção, a 40 viticultores, de 100 das cerca de quatro mil toneladas de uva produzidas anualmente na região.

A cooperativa foi fundada por agricultores em 1951 e, com várias delegações no arquipélago da Madeira, comercializa todo o tipo de alfaias, adubos e sementes.

Fonte: Palato feminino premiado: duas engenheiras e uma enóloga criam o Madeira Vintners – Observador

Quinta de Cliff Richard no Algarve está à venda por 9 Milhões de Euros

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A Quinta do Miradouro, em Albufeira, que produz os vinhos do conhecido cantor britânico Sir Cliff Richard, está à venda por 7,5 milhões de libras, cerca de 9 milhões de euros.

É nesta luxuosa quinta, que ladeia a Adega do Cantor, que são produzidos os vinhos Vida Nova e Onda Nova, há quinze anos.

Para além das vinhas, a quinta ainda possui uma villa com quatro quartos, courts de ténis e uma piscina. Este espaço é dirigido por Nigel e Lesley Birch, um casal britânico residente em Portugal há três décadas, e que agora decidiu vender a quinta e o negócio, onde se incluem os 60 mil metros quadrados onde está inserida a Adega do Cantor.

O cantor britânico, de 75 anos, possui uma propriedade com 250 anos a cerca de cinco minutos do local, mas usava o espaço para produzir o seu negócio de vinhos, em conjunto com o casal Birch.  Segundo o jornal Daily Mail, Cliff Richard admite estar a desistir do negócio “de forma relutante”, mas acredita que “está na hora de desacelerar e passar o sonho a outra pessoa, que possa dedicar mais tempo a este maravilhoso projeto”.

A decisão parece ter sido mútua. “Criar e estabelecer esta adega foi uma experiência verdadeiramente entusiasmante e recompensadora. Exigiu muito trabalho mas estamos muito orgulhosos do que conseguimos alcançar”, acrescentou o cantor.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/famosos/detalhe/quinta_de_cliff_richard_no_algarve_esta_a_venda.htmlQuinta do Miradouro and neighbouring winery Adega do Cantor in Albufeira in Portugal’s Algarve are up for grabs after 15 years of producing the singer’s wine, Vida and Onda Nova.

Fonte: Portugal vineyard owned by Cliff Richard is on sale for £7.5m | Daily Mail Online

Real Wine Fair – Londres

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Nos próximos dias 17 e 18 de Abril começa em Londres a Real Wine Fair, uma Feira de Vinhos “Verdadeiros”.

E o que são Vinhos verdadeiros para os organizadores desta feira? Vinhos Orgânicos, Biodinâmicos e Naturais. Vinhos com o mínimo de intervenção possível, respeitando o ambiente onde são produzidos. Vinhos feitos por artesãos apaixonados e dedicados a produzir Vinhos que representem a região onde se encontram.

Estarão presentes Vignerons de vários Continentes e Portugal vai estar representado por 5 Produtores.Real-Wine

 

Portugal

Albergue do Bonjardim

Aphros

Morgadio da Calcada

Vale da Capucha

Vinibio

Se tiver oportunidade e estiver por Londres não perca!

http://therealwinefair.com/

 

Expresso | The Fladegate Partnership compra o Hotel Infante Sagres

A holding dedicada ao vinho do Porto, turismo e distribuição de vinhos reforça a sua presença na hotelaria com o primeiro hotel de luxo do Porto

O grupo The Fladegate Partnership comprou o hotel Infante Sagres, no Porto. A holding dedicada ao sector do vinho do Porto, turismo e distribuição de vinhos reforça, assim, o seu portfólio na hotelaria,onde ja detém o hotel The Yeatman, em Gaia, e o The Vintage House Hotel, no Pinhão.

Sem divulgar o valor do negócio, Adrian Bridge, diretor-geral do grupo, considerou que a compra do primeiro hotel de luxo do Porto vem “reforçar a oferta” da sua holding. “Vamos investir no Infante Sagres para garantir que este continua a ser um dos melhores hotéis de cinco estrelas da cidade”, refere em comunicado.

Inaugurado em 1951, o Infante Sagres já recebeu personalidades como o Dalai Lama, Bob Dylan, os U2 ou o Príncipe Eduardo, de Inglaterra.

A aquisição surge apenas meio ano depois de o grupo ter anunciado a compra da totalidade do capital do hotel The Vintage House no Pinhão, que reabriu em março, depois de estar encerrado durante dois meses para obras de remodelação.

Proprietária das casas de vinho do Porto Taylor´s, Fonseca, Croft e Krohn, o grupo está em Portugal desde 1962, abarcando também, além dos três hotéis, as empresas de distribuição de vinho On-Wine.pt e Heritage Wines, para um volume de negócios superior a 100 milhões de euros.

Fonte: Expresso | The Fladegate Partnership compra o Hotel Infante Sagres

“Como pode haver em Portugal vinho tão bom e tão barato?”

A pergunta é feita nos EUA, na sequência de uma prova de vinhos que serviu para escolher os melhores 50 abaixo de 15 dólares.

João Paulo Meneses

A Village Voice acompanhou a sessão com os especialistas (alguns premiados escanções) e não poupa nos elogios aos vinhos portugueses.

Ano após ano Portugal continua a apresentar excelentes vinhos, que conjugam também preços considerados justos.

Daí a perplexidade:

“Como pode Portugal ter vinhos tão bons por tão pouco [dinheiro]? (“So how can Portugal sell such great wine for so little?“).

A explicação vem no próprio artigo: o custo da mão-de-obra é baixo e as propriedades que os produzem não têm sido alvo de especulação imobiliária, o que não tem aumentado os custos de produção significativamente.

A lista que elaboraram tem em conta apenas os vinhos que são importados para o mercado dos EUA. E a revista destaca estes cinco:

Lavradores de Feitoria, Douro, 2014;

Casal de Ventozela Loureiro, Vinho Verde, 2014;

Dona Ermelinda Reserva, Península de Setúbal, 2013;

Barão De Vilar, Dão, 2013;

Vale do Bomfim, Douro, 2013;

Fonte: “Como pode haver em Portugal vinho tão bom e tão barato?”